Não vou falar do que me machuca. Nem vou teorizar aquilo que doi tanto que parece que vai queimar tal qual fogo morro acima. Tampouco vou falar do que não me é belo, pois creio que só a sutileza do que é puro deve permear o coração dos aflitos. Minha alma, nem sempre um alaúde, teima em querer sentir até o fim aquilo que é amargo. A parte débil da minha maçã do amor é a que mais polpa possui. Meu algodão-doce é feito de suspiros e teias de entranhas, nada próximas entre si. Sei de mim o pouco que sei do universo. Eu sou um universo. Sou meu próprio mundo banhado em rancor, ódio e esperança na vida. Não acredito nem no demônio nem no sabor das coisas muito apetitosas, minha cesta de frutas é da cor do meu palato mole. Sem útero e com vagina até demais, sou a mistura andrógina de um corvo com um cervo da floresta. Abutre com asas de anjo. Sou minha própria lei e por ela temo ser julgada e encarcerada sem direito a habeas corpus. Minha doutrina exclui humildade excessiva ao mesmo passo em que manda à forca hedonismo e egocentrismo em doses exaltadas. Meu Fahrenheit não queima nem miolo nem papel, sou fogo brando quando a tempestade destroi o vilarejo da sanidade. Nada que corre pelas cachoeiras da verdade pode lutar contra o oceano da ignorância. Somos apenas almas perdidas nadando num aquário. E como eu gostaria que você estivesse aqui.
Um desabafo...
Um desabafo...
Um comentário:
É realmente lamentável o fato de que só conseguimos manter o hábito da escreta em dia quando algo não está certo conosco. Creio que quanto pior estamos mais limpo é o texto. Mas isso tu já sabe. Espero que poder ficar sem ver atualização nesse blog por uns dois meses denovo.
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