Se você pensa que “Twist and Shout” é uma dos maiores hits já compostos pelos Beatles, vou ter que lhe desapontar: eles não escreveram o grande hino de “Curtindo a Vida Adoidado”. A primeira versão de sucesso da canção vem de 1964, de uma banda desconhecida, que já havia tentado cinco vezes sem sucesso entrar para o mundo do showbizz, e, surpreendentemente, emplaca as paradas de sucesso norte-americanas com uma “coisa” de nome semelhante: “Shout”. Estamos falando dos Isley Brothers, uma quarteto-terceto-sexteto-dupla-solo natural de Cincinati, Ohio, nos EUA. Em meados da década de 30, muito semelhante a um outro pai de família com síndrome de pop-star, um senhor de Ohio resolve que vai casar e constituir família para o mundo do estrelato. Não, não estamos falando do patriarca Jackson, tampouco de um certo Francisco brasileiro, mas de mais um maluco O'Kelly Isley que aposta no escuro e se dá bem! Os Isley iniciam com O’Kelly Jr., Rudolph, Ronald e Vernon. Em 1973, seriam, “implantados” também Ernye, Marvin e o genro Chris. Entretanto, quis o destino que Vernon virasse estrela antes dos demais: mas no céu, para os católicos de plantão. Foi atropelado por um caminhão enquanto andava de bicicleta em 1955. Abalados, mas não o suficiente para desistir do mundo da fama, os três irmãos remanescentes embaraçam para NY em 1956, sendo descobertos ao acaso pelo produtor Richard Barret (não, crianças, não é o ex-batera lisérgico do Pink Floyd, isto é pano para outra banda, digo, manga!). As composições dos Isley variam tanto no estilo quanto no conteúdo. Iniciaram com o soul, inauguraram o funk (ledo engano creditar a James Brown a paternidade do estilo. Os Isley engravidaram do funk antes), não se deixaram abalar pelo advento do rock (inclusive, vale lembrar que Jimmy Hendrix ainda era Hendricks quando iniciou sua carreira, no início dos 70, com os irmãos Isley. Gravaram juntos Testify e More over and let me Dance. Foi o Próprio Hendriks que incentivou os caçulas a se unirem ao trio de maninhos, e as “pegadas” de Ernye em muito se assemelham com as de –agora sim!- Hendrix), excursionaram pela UK com um pianista novato (que mais tarde seria chamado popularmente de Sir Elton Jhon), abraçaram o Rithm and Blues de forma majestosa, e chegaram a urban music contemporânea. Adentrando em algumas canções, também percebemos esta linha metamórfica da família Isley: Em “Tears” e “This Old Heart of Mine” (aliás, os ouvintes espirituosos e de imaginação fértil poderão perceber nesta canção acordes que muito lembram nosso clássico infantil “Superfantástico” do Balão Mágico!) percebe-se o romantismo típico da paixão e dos corações partidos. Em Smooth Sayling Tonight, Summer Breeze, Time after Time, podemos encontrar certo tom de inconformismo e um quê love and peace way of life. Em Harvest of the World, Fight the power and Ballad for the fallen soldier, esse tom torna-se escrachado, revelando um inconformismo autêntico para com os problemas sociais e um apelo nada velado aos ouvintes para que abram os olhos para o humanismo e para a paz. Os anos 80 trazem, por assim dizer, certo declínio à banda. O famoso 3+3 (nome de um de seus discos e alusão a formação setentista da banda) vira 3-3 (os membros “posteriores” resolvem sair em sua “Caravan of Love" –grande sucesso dos mesmos-), O’Kelly Jr. falece de vítima de câncer, Rudolph se resigna e retorna às origens gospel, tornando-se ministro religioso, e Ronald, após um momento de brilho ao emplacar dueto com Rod Steward em 1991, acaba também doente e, por sonegação de impostos, condenado à prisão até 2010. Contudo, são inegáveis as raízes que os Isley plantaram, principalmente na black music americana. Artistas típicos dos 80/90 inspiram-se e sampleiam até hoje sucessos dos Isley. Entre 1962 e 2001, os Isley emplacaram o chart americano 43 vezes, o de Rithm and Blues 68 vezes e o britânico 11 vezes. Em 1992 recebem o seu merecido lugar no Rock and Roll Hall of Fame, e em 2003, no Voice Hall of Fame.
Escrito há alguns semestres... esse tempo que voa!
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