Vergonha. Pela oitava vez o Supremo Tribunal de Justiça brasileira adia a proposição acerca da validade ou não do direito ao diploma para o exercício da profissão de comunicólogo-jornalista de sua pauta. Ótimo. Lindo. Após o mais maçante, cansativo, repetitivo e desnecessário discurso de intermináveis horas (eu disse horas) do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Sr. Poeta e membro da Academia Sergipana de Letras, Carlos Ayres Britto acabamos por descobrir, aterrados, a notícia nada mais pertinente ao dia 1º de abril: fomos, mais uma vez, passados para trás, desconsiderados, afastados de nosso direito a uma resposta coerente em relação à liminar que pretende nos desprofissionalizar. A propósito, a questão (des)pautada por si só já consiste numa blasfêmia à ética e à coerência, mas não entremos nesse mérito. Já discutimos demais sobre isso. Hoje o que me leva ao quase-desespero é o total descaso das autoridades em relação à comunicação social como ciência, como profissão, como elemento constituinte da base social. Levando em consideração todas as proposições já levantadas acerca desse tema em todo o país, lançando olhos às inúmeras manifestações em relação à validade do diploma, analisando os 73,4 % da população brasileira questionada que se manifesta favorável a permanência de profissionais capacitados e embasados teórica e praticamente no exercício da profissão de jornalista, como, me diga como simplesmente os "homens de preto" retiram de pauta tal tema e decidem por votar apenas a validade Lei de Imprensa? Até quando, alguém me responda, até quando seremos enganados desta forma? Até quando nos manipularão e farão troça de nossos anseios, de nossas necessidades, de nossos direitos? Até quando os homem de longas e lustrosas togas farão chiste de nossas ideologias, tanto dentro quanto fora de suas intermináveis e ridículas sessões? Sempre fui a primeira a defender meu país, mas hoje, embebida pela fúria de cidadã lesada, profissional caluniada e ser humano que sente digo que meu Brasil tão amado e idolatrado, salve!, salve!, é o país do eterno 1º de abril, é o país da piada, da corrupção, da sociedade do espetáculo, do panis et circensis. A pátria onde eu nasci, cresci e sempre defendi não me respeita como eu sonhava quando criança imbuída de inocência única e efêmera. Sabem o que penso? Essa difamada questão nunca será votada, de fato. Nossos ministros sabem muito bem a batata-quente que carregam em suas mãos. Passá-la-ão aos próximos, que passarão aos próximos, e assim sucessivamente, como se faz com tudo nesse meu Brasil do eterno Carnaval. É o jeitinho brasileiro de se (não) resolver as coisas, não é mesmo? E não me venham dizer que a causa é pequena, que estamos fazendo tempestade em copo d'água, que a população sabe o que se passa e tem "filtros" (não é mesmo Sr. Britto?) para separar o joio do trigo do que recebe dos meios de comunicação. Balela. Se assim fosse o Big Brother Brasil já teria saído da grade de programação global e, no mínimo, as retransmissoras locais teriam noticiado algo acerca do que falo neste momento. É a eterna palhaçada de perceber aqueles que deveriam zelar por nossos direitos mancomunados com órgãos ou instituições que apenas desejam nos lesar, e pior!, fazendo uso de jogos de palavras e expressões belas e metafóricas para nos convencer de que "tudo isso é para melhorar a sociedade, é para o nosso próprio bem." O que os grandes meios de comunicação querem? Desqualificação, despreparo e uma população cada vez mais manipulável. Como conseguir isso? Pondo no lugar de profissionais éticos e qualificados indivíduos medíocres dispostos a vender seu nome e sua imagem a preço de banana. A imprensa é porca? Sim. Da mesma forma que a política, que a economia, que a medicina, que o direito e que quaisquer outras áreas quando repletas de profissionais desqualificados ou precários imbecis que resolvem se auto-titular a algo e agir de forma despreparada e burra dentro da área escolhida. Ah, claro, eu esqueci! "Uma vez que apenas jornalistas diplomados têm acesso aos meios de comunicação a liberdade de expressão fica seriamente lesada." Mentira. E o simples fato de você estar lendo este blog já desmente a proposição supra citada. A internet é um meio de comunicação e eu sou muito mais historiadora, hoje, do que jornalista. E nem por isso eu tive que abandonar meu direito de expressar, por meio deste veículo de comunicação, meu total repúdio ao desrespeito não só para com uma classe mas para com toda a população brasileira. Senhores que regem as leis e os passos desta minha nação, por favor, não me façam perder o que resta de meu respeito para com ela. E, por favor, não retirem nosso direito à PROFISSÃO que elegemos para nossa caminhada.
"Quem foi que disse que Deus é brasileiro? Quem foi que disse que existe ordem e progresso ? Enquanto a zona corre solta no Congresso, quem foi que disse que a justiça tarda mas não falha? [...] Cada dia eu levo um tiro que sai pela culatra. Eu não sou ministro, eu não sou magnata. Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém. Aqui embaixo as leis são diferentes."
"Quem foi que disse que Deus é brasileiro? Quem foi que disse que existe ordem e progresso ? Enquanto a zona corre solta no Congresso, quem foi que disse que a justiça tarda mas não falha? [...] Cada dia eu levo um tiro que sai pela culatra. Eu não sou ministro, eu não sou magnata. Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém. Aqui embaixo as leis são diferentes."
Um comentário:
"aqui na terra tão jogando futebol
tem muita samba, muito choro e rock 'n' roll
uns dia chove e outros dias bate sol
mas o que eu quero te dizer é que a coisa aqui tá preta
é pirueta pra cavar o ganha pão
que a gente vai cavando só de birra só de sarro
que a gente vai fumando e também sem um cigarro
ninguém segura esse rojão"
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