sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Essa coisa


Ah essa tarefa! Nem mesmo eu sei o porquê de ficar tanto tempo distante de meu cotidiano vendaval de palavras e sonhos. Leio um livro atrás do outro e nesse processo torno-me cada vez mais temerosa de escrever. Creio que me atormenta não conseguir ser tão brilhante como aqueles aos quais leio e admiro. Doce devaneio. Mas enfim, voltei! Menos sarcástica que da última vez e menos sorridente que de costume. Deve ser o vento invernal que me sopra pelas frestas da janela nesse fevereiro carnavalesco. Carnaval. Detesto. Frio? Adoro! Saudade da minha rotina. Saudade do meu periquito que morreu há anos e atendia por Cocota (e eu jurava que era um papagaio). Saudade do chiclete Ping Pong com gostinho de Tandy. Saudade da Tandy. Horror da Sandy (aquela que casou virgem, sabe?) Ontem fui acometida por um desespero avassalador. Meu primeiro ex-namorado me deu a notícia (via Messenger) de que será pai. Era uma brincadeira. E eu entrei em pânico. Chorei e pedi ao Bibs que segurasse minha mão. O alívio percorreu cada uma de minhas hemácias quando ele declarou o teor de chiste do comentário. Nessas férias fui a Buenos Aires e me apaixonei. Nessas férias fui a Mar Del Plata e me desencantei. Desencantos acontecem. Toda hora. As férias me matam. Me mata não saber onde vamos. Tenho saudade da Caren. Essa noite sonhei com espectros e de como eles fingiam ainda viver entre nós normalmente. Nunca vou aceitar a morte. Nunca vou aceitar a vida. Meu irmão me escreveu uma carta há duas semanas. Chorei quando li Dez anos, quase. Dez. 3650 dias. O tempo passa e não há quem consiga segurar a grande caravana das primaveras. Tomo café doce demais para um dia cinza demais que me agrada demais. Preciso de alguma coisa que se encontra perto de mim (eu sinto!), mas que não consigo identificar. Eu vou deixar a vida indo. Eu me seguro na traseira dela e vou na banguela. Eu nasci no time do meio e isso me irrita muito.