Semanas sem escrever. Horas sem inspiração. Pensei em vomitar nada que não fosse caviar ou salmão. Lamento, vai ser sardinha ao molho de limão do Nacional. É incrível como a paz de espírito da qual desfrutamos por vezes se desfaz no conforto de um trovão soturno num poente primaveril. Não, não se desesperem. Esta não pretende ser mais uma postagem nebulosa sobre os anseios e as dores da minha alma hiperbolicamente subjetiva. Este post é um escarro. Um cuspe ao calor, às burocracias sociais, às almas de pequena amplitude e a tudo que me faz ter vontade de bater com as mãos no peito até rebentar a carne. A última semana deu-se de forma absurdamente surreal. Como, repito!, como o mundo pode se apresentar tão estúpido quando deixamos de dizer sim a tudo que nos é apresentado? Vocês lembram daquela musiquinha? "Eu só quero é ser feliz... andar tranquilamente na favela onde eu nasci..." Hey! Eu só quero é isso: é ser feliz! Estou pedindo demais? Estou estupendamente errada em decidir não chorar pela escuridão do porvir? É demasiado mundano afrontar os algozes que nos beliscam o ego e a vontade? Sou desvairada por anunciar meu desejo de inverno e casacos pesados? Meus pesadelos me lavam em sangue e suor. Não posso crer que a bonança dê lugar à tempestade, o dito sempre anunciou o oposto. Céu estrelado, firmamento enuveado, eu estou pedindo: não me faça desacreditar da vontade que tenho de existir sorrindo! Mais um semestre chega ao seu final. Semestre acadêmico. Semestre endêmico. Semestre epidêmico. Férias. De quê? De mim, quem sabe? Dar um tempo no ócio produtivo, na responsabilidade imatura de todo bom cidadão brasileiro. Ah!, meu reino por um mate caloroso num colo de vó que já não existe mais! Crescer é difícil, erguer nossas próprias escadas dá mais azar que passar por baixo delas. Um gato preto entenderia o medo que tenho da claridade. Não por ser preto, mas por saber que na escuridão ele pode se camuflar melhor do inimigo [mas tu é branca, guria!] Eu sei. Mas minha alma, este campo minado metade de flores metade de desilusões tende a querer tingir de ébano suas malhas compositoras.
"A tua piscina tá cheia de ratos, tuas idéias não correspondem aos fatos... o tempo não pára! Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades... o tempo não pára!"
"A tua piscina tá cheia de ratos, tuas idéias não correspondem aos fatos... o tempo não pára! Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades... o tempo não pára!"
3 comentários:
vamos nos feriasear.
Esse seu post reflete na nossa cultura atual em que vivemos, a cultura de pais mimados que querem dar aos seus filhos tudo que não tiveram na vida e acabam por se esquecerem de dizer não à elas, depois esses filhos viram nossos colegas de aula/faculdade e no primeiro "não" da vida deles é encarado como um insulto... (ainda que vc fica com fama de grosso e estúpido)
Como você disse, é final de semestre endêmico, todos tiraremos férias de nós mesmos, boas férias a todos... eu tirarei férias dentro de uma garrafa de cerveja Heineken, afinal férias é férias...
Abraços, beijos e mais beijos Ananda
inferno astral aquele? hum.
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