sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Dessas coisas

Dai a gente faz e se arrepende. E rola na cama de desgosto e indigestão. Cada um no seu próprio ritmo e tempo contra a vazão das coisas. E nos perguntamos o que fizemos, por que fizemos, como fizemos. A cambraia murcha e morta que jaz aos pés da tua cama não vai reerguer o príncipe deposto. Angústia e temor fazem parte dos pensamentos de quem toma decisões precipitadas. Fadados a colher consequências medonhas e ferozes, seguimos fingindo força e decisão. Lutar contra nossos próprios medos é a pior parte de ser impenetrável. Eu tenho tanto medo, Sibila... Eu tenho medo de não acordar, eu tenho medo de não dormir. Eu tenho medo de expirar antes de ouvir todas as canções. Eu quero ler os poemas mais toscos e tossir ao inspirar o pólen da flor mais amarela na beira da estrada.


Eu te vi. Eu pus meus olhos em ti. Eu te senti como quem sente um toque suave de dedos violinistas no canto esquerdo da nuca. Tua presença imaginária traz paz ao meu mundo. Eu quero tocar tua alma como quem toca uma sonata à meia-noite. Me fazes feliz mesmo sem saber que estás dentro de mim.


Não quero mais sentir. Quero trocar por cimento e pedregulho o peso morto do meu coração. Difícil ser humano quando se é tão indefeso.






"Vivo na noite do tempo
Atrás do que se perdeu
Vai ver, a estrela sabia
Por isso não respondeu"

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