quarta-feira, 17 de março de 2010

Maria Maria

Sentada ao teclado, pensando na morte da bezerra. Bezerra da Silva. Silva de pedras. Selva de palmas. Salva-me disso tudo, oh, capitão, meu capitão! Preenchendo uma de minhas tantas pseudo-personalidades percebo que necessito de álcool. Deve ser sintoma de alcoolismo, ou "alcoolia", como preferem os eufemicos. Não. Ainda não. Mas nunca diga nunca (verdade, senhor deus das meias mentiras?). O que me leva ao teclado e' a dor bruta e seca que a realidade pode causar. O corroer da injustiça ante a mais clara das verdades. Paro aqui. Ridículas estas duas ultimas frases. Muito sóbria para continuar. O teclado emperra. Sinal dos deuses. A musica cessa. Sinal dos diabos. Releio o que já escrevi e sinto vontade de apagar palavra por palavra, letra por letra, sonho por sonho, lágrima por lágrima. Cliché. Acreditem, crianças, quando lhes disserem que basta lutar por um sonho para que ele se torne realidade, os adultos visionários e cegos esqueceram alguns detalhes. Sonhar, desejar, visualizar funciona muito bem na teoria do "Segredo" (por Ana Maria Brega). Em minhas primaveras, nunca desisti de lutar pelo que almejo, por vontades que erguem minhas pequenas incertezas, pelas luzes que brilham em minha mente. Meu coração se move fagocitando as barreiras. Entretanto ninguém disse o que fazer quando o certo não for descoberto. Antes de iniciar esse escarro, fui buscar uma cerveja na esquina. Sozinha, somente, demente. A noite e seus gatos nada pardos nunca me assustaram deveras. Pelo contrario. Foram meu alento, minha coberta, minha fuga. Cada novo dia, no entanto, me mostra que viver num mundo de homens medianos dói demais. Não sou alta. Mas toda essa baixeza de espírito me enlouquece. Queria descansar os olhos nas estrelas sem sonoplastia que não a dos demais astros. Ao adotarmos determinados comportamentos e seguir dados caminhos devemos, resignadamente, adotar também suas consequencias e andar por seus desvios. Dói demasiado. Doeu quando vi a dama de bege. Doeu quando meu vestido caiu. Mas e' a caravana da alegria, aquela, aquela mesma que não cessa nem quer parar. Tenho convicção de minhas capacidades e aptidões. Outros, todavia, estão mais certos das meias-vontades de seus pares. Não e' tempo para iniciantes na roda da vida real. Mas eu tenho essa estranha mania de seguir. Choro, esperneio, faço inimigos, mas não consigo deixar de erguer o cenho. Deve ser essa estranha mania de ter fé na vida, não e', Milton?


"Mas e' preciso ter manha, e' preciso ter graça, e' preciso ter sonhos sempre. Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida."

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