domingo, 14 de junho de 2009

Minha mente gira...

...como um ventilador!


Quantas vezes na sua vida você fez refletir no grande espelho da vaidade reflexos de si que você nem sequer desejou possuir? Quinta feira, dia do Santo Corpo de Cristo, o filho do homem, o filho da não-puta que partiu em maus lençois pelos filhos das putas que ficaram chorando lágrimas de virgem, de vaca e de crocodilo. Eu nem sei mais. Eu não deveria me achar uma filha-da-puta (sentido figurado, mãe!, olha o hífem!) mas me acho. Mancho a alma e o coração de quem me ama e de quem eu finjo amar. Finjo é palavra errônea. Tento. Tento desesperadamente. Tento, tento, tento. Essa minha ânsia fútil e demente de abarcar num só abraço coisas tão dúbias como meu complexo bipolar. Complexo bipolar. Impressionante como o terror e a sutileza podem misturar-se tão secretamente num bailar formoso e cintilante. Pensar que a cura e o veneno são um só coração. Como é fácil contradizer, a si mesmo (essa postagem chorona e igual a tudo por aí e mais igual ainda às minhas próprias críticas virtuais que o diga!) e aos outros. Como é fácil fugir, como é difícil voltar, como é duro aceitar o derradeiro final dos espetáculos circenses, sem direito à pipoca-doce ou maçã-do-amor. Da minha maçã, não sei o ladrão. Foi a muito tempo. Foi quando cai feito Cinderela num sono de vidro que alguns denominam realidade. Crente, olhos fechados, olhos vendados. Eu e minhas certezas, vou-ser-global-um-dia-ter-dinheiro-ser-mulher-de-doutor-ter-três-filhos-e-votar-no-PMDB. E agora, que isso está batendo na minha porta ao mesmo tempo em que bate na porta de quem não deveria bater? (admitam neste momento apenas minha licença poética de comparação -preciso me sentir próxima disso que passa tão longe de mim!- e esqueçam o compromisso com a verdade) Agora é tarde! Pensei ser eterno o tempo do faz-desfaz-te-amo-voltapramim. Já se foram pro infinito as noites de mosquitos e estrelas. Eu perdi. Perdi por minhas próprias mãos. Perdi por minha ganância de ser algo que pensei ser alheio à rebeldia. Estúpida. Sou um pedaço de papel planando sobre uma barragem em processo de construção: um bode expiatório dos dramas alheios. O melhor (pior?) é que com o tempo, com os tombos e com algumas centenas de cloridratos de paroxetina fui desenvolvendo à pão-de-Ló um senso de humor (negro) fora do comum. Aliás, os antidepressivos terminaram de sufocar o pouco de mim mesma que sobrou dos meus poucos quinze anos, daqueles tempos em que debutava entre um gramado úmido de sereno e um semblante de anjo torto que teimava ensinar tudo, de heroína a Jesus. Consigo até rir de mim mesma e de minhas desgraças! Consigo até trocar uma dor por uma foto na galeria do egocentrismo medíocre de todo bom mortal iludido pelo palpável... Ai que legal, que divertido, mãe olha eu na TV, olha eu na Rádio, olha o que eu escrevi no jornal... Olha eu falando inglês, francês e alemão... Olha eu lendo Kafka, Marx, Saramago, Orwell e Burke... Olha eu! Olha eu! Olha eu chorando...

"We're just two lost souls swimmin' in a fish bowl... year after year... runing over this same old ground, what have we found? Same old fears... wish you were here..."

Um comentário:

Anônimo disse...

LINDO, LINDO!
a mais pura Ananda que eu conheço, sem defesas, sem escárnio, sem maldade (sem maldade daquele jeito que sabemos).
eis que uma alma habitante desse corpo resolveu se manifestar lindamente.
olha eu comentando aqui, voltei!