Estamos no ano da França no Brasil. Até Santa Maria entrou nessa. Acho ótimo. Santa Maria iniciou também a anual campanha Resto Zero do Restaurante Universitário da UFSM. Resto Zero lembra Fome Zero, aquele programa social de auxílio e combate à fome no país, que fisga de nossa massa cinzenta automaticamente a figura do Presidente Lula (não, não vamos entrar no mérito de quem é o papai do filhinho pródigo dEa boa alimentação brasileira, esse é pano para outras mangas). Falávamos de Lula. Ah sim, Luis Inácio e o Ano da França, fome e Resto Zero. Não me impressionaria se Lula fizesse um pronunciamento no qual dissesse que a queda do Airbus 330 da Air France, ocorrido há alguns dias, fez parte das comemorações franco-brasileiras do ciclo de 2009. Nosso presidente é o rei do chiste soturno e da piada pouco risível. Mas o que mais me impressiona, o que mais me deixa de cenho repuxado, é o fato de que todos nós não conseguimos deixar de rir junto com o sorriso maroto do Primeiro Homem do Brasil. Aliás, não sei se nossa graça vem das palavras ou da prórpia barbicha de Papai Noel ébrio do presidente. Em outro panorama, a campanha contra o uso do crack em Santa Maria também vem fechando cada vez mais o cerco aos usuários e traficantes. O número de viciados nesta e em outras drogas vem crescendo de forma alarmante. Uma crise! O quê, alguém disse crise? Que nada, é só uma marolinha! Afinal, quem consegue encontrar petróleo a 6 mil metros de profundidade, encontra destroços a 2. Inacreditável. Lula me diverte. Só não me diverte mais do que ouvir brigas na janela sábado pela manhã. Briga. Hoje, dia Internacional das Crianças Vítimas de Agressão, sonhei já ao amanhecer que era perseguida por três meninos na entrada do meu prédio. Crianças covardemente jogadas nesse eterno ciclo de “você-me-agride-eu-te-agrido”. Na primeira e única vez que fui assaltada (bate na madeira!) o meliante era um garoto de aproximadamente 10 anos. Eu estava acompanhada de mais quatro rapazes naquela ocasião, um dos domingos do mês passado. Quando contamos, ninguém acreditou, fizeram troça de nosso azar. Ah, essa mania tupiniquim da graça banalizada. Quiçá esse fato foi o que me fez adentrar na penumbra dos devaneios oníricos pouco auspiciosos recém mencionados. Enfim, naquele momento, todos paramos, estupefados. Nos sentimos agredidos. A bem da verdade ele e sua faca Tramontina de ponta afiada não nos levaram mais do que RS 2, 15. Ainda assim, caiu-nos o queixo. Paramos, atônitos, sentindo na face a violência com a qual a sociedade faz uma criança, que possivelmente não recebe o auxílio do Fome Zero e que adoraria limpar o prato e cair de boca na Campanha do nosso bom e velho RU, sair domingo a noite, crackeado até as últimas possibilidades, recebendo as bordoadas da crise que é apenas uma marolinha, conhecendo da França apenas a cabeçada de Zinedin Zidanne durante a copa de 2006, assaltando os passantes desconhecidos orgulhoso como se fosse Papagaio ou chefe do Comando Vermelho. A violência contra a criança vem de dentro e vem de fora, vem da periferia e de Touluse. Não escolhe classe, credo ou cruz. Ela vem. E vem até pra quem já não é mais tão criança assim. Ah, Lula. E você, seu fanfarrão, pedindo pra sair, logo agora que o circo está armado e o picadeiro esperando o stand-up comedy central da noite! Não nos abandone, Homem... Nessa onda de rir pra não chorar, só vossa excelência pra salvar nossa pele!
"And everything will happen... and I wonder!"
"And everything will happen... and I wonder!"
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