terça-feira, 24 de junho de 2008

O Jornalista e a necessidade de sê-lo.


Nunca pensei que fosse eu adentrar ao universo soturno da transgressão. Sempre fui semi-acomodada, parte revoltada, quase burguesa, parcialmente triste. Fui, até hoje, uma pessoa pela metade. E é coisa muito séria perceber-se como ser humano mediano, mundano, beltrano. Mais um entre tantos, desprovido de coragem, quiçá caráter, para combater as mazelas as quais percebemos diariamente pelas janelas dos coletivos urbanos das grandes metrópoles.
O que vi há alguns pares de dias fez com que eu mudasse meu viés de análise da pior forma possível: a auto-tragédia. Querem desregulamentar a profissão à qual dedico minha formação. Pretendem retirar de forma torpe, ilegal e facínora o direito ao diploma de comunicólogo-jornalista. Não há sequer um motivo plausível –além dos gordos bolsos e de interesses fétidos das grandes corporações- a dar aval a esse intento. Tirar o direito a exercer um jornalismo ético, centrado e aplicado é crime contra o povo, contra a nação, contra a democracia. A fim de clinicar, advogar ou lecionar necessita-se de formação específica, e isto parece lógico e racional ao primeiro instante. Faz-se necessário esmiuçar as mais variadas partículas de cada ciência, desprender delas as minúsculas parcelas de método e técnica. É a práxis, o treino, período imprescindível para a formação do profissional, em todas e quaisquer áreas.
A ética não nasce junto ao homem, como defendem muitos autores. Ela deverá ser trabalhada, abordada, discutida e criticada a fim de atender aos interesses da coletividade, do povo, do todo. Interesses medíocres e mundanos daqueles que apenas pretendem perpetuar a ignorância coletiva e a alienação capitalista em prol de seus objetivos não podem ser a base da comunicação social. Não poderemos assistir à tirada de mais um direito básico e vital do cidadão brasileiro! O direito à informação crítica, comprometida com a verdade, esclarecedora e imparcial é dever de todo profissional jornalista e direito do país, já tão estigmatizado pela escravidão intelectual imposta pelas grandes potências.
Bastará criatividade e alguma espécie primária de talento para o exercício de uma tarefa carregada de tamanha responsabilidade e comprometimento? Não perceberão aqueles que comemoram com esta medida que ela apenas visa criar mais e mais protótipos humanos a servir aos interesses das grandes empresas que governam o Brasil? Não conseguem visualizar que os futuros “jornalistas” que o distinto senhor Severiano Alves pretende lançar ao mercado trabalharão horas e horas por salários de miséria, apenas para sustentar os interesses de empresas milionárias?
Convido a todos para a luta! Não para a luta banalizada, escancarada, violada. Convido-o para adentrar ao front do esclarecimento, da defesa da verdade e da democracia. A informação séria e consciente é parte constituinte da evolução intelectual de um povo. Nós, como estudantes, profissionais, e principalmente como povo a ser lesado por tal medida temos não só o direito como o dever de repudiar tal liminar! Avante, brasileiros, lutemos contra a burrice e a ignorância. Comunicação sem diploma, não!




"Mas nós vamos ficar ricos, vamos faturar um milhão, quando vendermos todas as almas dos nossos índios num leilão! Que paísé este?"

Nenhum comentário: