quarta-feira, 4 de junho de 2008

Eu, eu mesma e Silene


Você já teve medo de escrever? Já temeu não atender às expectativas de sua consciência ou daquelas que absorverão o que você vomita? Já sentiu alguma vez tamanha euforia que teve certeza absoluta da explosão de seu peito? Estou assim hoje. Mil devaneios invadem minha perversa sanidade, essa dor cinza que insiste em querer ir embora de meu quarto. Ah, meu quarto! Abri a porta dele como se fosse alguma câmara real, da mesma forma que cri estar subindo as escadarias do paraíso quando da chegada em minha casa. A porta de entrada? O portal da eternidade, tenho certeza! Para mim, ao menos, é. Mil carros, luzes, sons. Pessoas atravessam meu corpo e meu caminho nesse dia. Mil idéias, milhos, milhares de reais virando fumaça longe de minhas mãos. Talvez excederei os limites da paciência alheia escrevendo, mas se você quiser ouvir algo fantástico, continue. Se quiser acreditar no implícito, prossiga. Se me acompanha na busca pelo impossível, baixe o cursor. Caso contrário, volte pro orkut ou atenda a janela do msn que estará piscando, com certeza. Não quero parecer prepotente, mas se "deus" existe, esta noite ele falou comigo! Na bula de meu anti-depressivo está escrito que a parada abrupta de seu consumo causa reações desagradáveis, como devaneios oníricos. Talvez esse fato, aliado ao consumo excessivo de álcool na segunda-feira, tenha alguma relação com o ocorrido, mas prefiro acreditar que foi um contato maior com o infinito (bem, se parece demais, ainda dá pra parar). Sonhar é necessário, não é mesmo? Somos do tamanho de nossos sonhos, afinal. Sem mais delongas, adormeci e viajei comigo mesma cinco anos mais nova e cinco anos mais velha. As três juntas, uma impondo à outra uma imagem aterrorizante do conflito do passado, presente e futuro. Éramos três corpos envolvidos na bruma de uma única alma. Me vi loira, ainda mais magrinha, sorrindo com a inocência de quem pede apenas um raio de sol. Me vi serena, tristonha, drogada e jogada num lugar belo e terrível. Não sei onde era, eu pintava bancos em uma praça e cheirava cocaína barata. E quem estava assimilando tudo (ou tentando) era a Ananda do dia 04 de junho de 2008. Tentei, mas não consegui despertar. Na verdade, eu nem mesmo queria. Estava totalmente envolvida com essa experiência pura e miserável. Eu queria ir mais, ir fundo, queria saborear o amargo daquele túnel. Borboletas, escuridão, falsos amigos, raios de luz, amores, bebidas, tudo e nada. "Tudo é complicado, tudo é eletrônico. Tudo se resume num cilíndro cônico". Viajei por locais que jamais pensei existirem dentro de mim. Descobri faces de mim que escondo, temo, admiro. Eu em vários ângulos, minha alma despida ante meus domínios. Queria saber quem era aquela menina que dançava, gritava, chorava. Eu? Nós? O mundo? Voei o mais rápido que pude, acorrentei-me voluntariamente a esse desatino. Não queria voltar, mas temia desesperadamente descobrir ainda mais de minha podridão e de minha bondade. Então, o despertador soou. Virei para o lado, e tudo continuava perfeitamente imutável, como na madrugada anterior. Como já diria Maria Alice Vergueiro, "pra onde eu fui?". Saí de casa sem saber o que era isso, e tudo seguiu seu curso natural. Se eu contar, ninguém vai acreditar. Mas não me custa tentar.




"Dizem que sou louco por pensar assim. Se sou muito louco por eu ser feliz, mais louco é quem me diz e não é feliz!"

5 comentários:

Anônimo disse...

um curso natural externo cheio de confusão mental e agonia.

Agonizar é preciso. tentar explicar é preciso para querer viver.

Ótimo, muito bom demais Anandinha, meu amor!

Dudu disse...

Ei, se tem mais Anandas por aí... eu posso ficar com uma pra mim? =D

Mt show o texto (sempre) ^^

Anônimo disse...

agonizei junto contigo lendo esse texto. espero, mesmo, e de coração, que as coisas que o passado reprime sejam logo postas pra fora. :)
tu tem muita luz ananda, e ela vai refletir muito (ainda).
um beijão!

Anônimo disse...

Passado, presente e futuro. O tempo n�o existe, mas acontece mesmo assim.
Repetindo as palavras da Panka, agonizante.
Mas nunca desiste, pois "sonhar � necess�rio, n�o � mesmo? Somos do tamanho de nossos sonhos, afinal".

Bravo!

Felipe Severo disse...

Uma experiência que gostaria de ter, mesmo que em sonho...
Uma euforia que me parece cada vez mais palpável...
Uma agonia que nos acompanha sempre, mas escolhe momentos certos pra se expressar...
Texto único, q me fez pensar!