domingo, 8 de junho de 2008

Chuva


Quem disse que "nada melhor do que não fazer nada" não conhecia os famosos domingos chuvosos santamarienses. No início, você adora. Depois, você come tal qual um condenado. Então, dorme por horas. Acorda. Come. Acorda. Dorme. Come. A ordem das coisas já não tem mais importância. É o tédio personificado na forma de um final de semana ocioso e improdutivo. A única coisa que ocupa sua mente é a esperança de um raio de sol que vá secar suas roupas no varal e sua alma umidecida pela angústia. Sim, medo. Quem nunca sentiu medo? Eu o sinto a toda hora, em toda parte. Medo do escuro, do futuro, do obscuro. Tenho mais medo de mim mesma do que do diabo. Se esse dia horrendo, onde cada gota de chuva que cai lá fora soa na minha mente como um tambor, trouxe algo consigo, foi medo. Estive pensando: até que ponto nossas atitudes refletem o que somos? Pareço tão vulnerável em certas ocasiões que não entendo como ainda tento passar imagem de pessoa forte. Sou fraca, sou volúvel, sou indecifrável. Todos somos. Não sei amar amando desesperadamente cada pedaço de gente que me cerca. Temo perder cada uma de minhas bonecas da mesma forma que busco mais e mais brinquedos nessa caminhada desvairada. Já magoei tantas corações na tentativa de acalmar a ira do universo que nem sei. Temo minha insegurança. Receio estar andando sozinha, acompanhada por mil pés a caminhar. Dia soturno, dia de caos. Dificilmente exteriorizo tristezas, melancolia, não me parece digno desse mundo já repleto de catástrofes. Hoje não deu pra evitar. Meu espírito crítico criticou minha vaidade e eu sinto que preciso de um calmante para adormecer e sonhar com os anjos. Ah, os anjos...


Só os sábios compreendem que nem toda verdade aparece nítida ante seus olhos.



"Hoje a tristeza não é passageira, hoje fiquei com febre a tarde inteira. E quando chegar a noite, cada estrela parecerá uma lágrima."

4 comentários:

Dudu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dudu disse...

Eh... tristeza de uns, alegria de outros... garanto que no instante que tu escreveu esse texto tinha um nordestino rezando pela mesma chuva melancólica, plácida... chuva =D

Segundo a Desciclopedia -fonte mais confiável de conhecimento que eu (des)conheço- a chuva, na verdade, "seria algum tipo de ataque vindo de Marte, tentando nos matar afogados ou em deslizamentos de terra", e se você quer evitar se molhar, "foi cientificamente provado, através de estudos dos princípios da Lei de Murphy, que se você sair de casa carregando um guarda-chuva diminui em até 70% as chances de chover."

¬¬

Anônimo disse...

nesses dias sempre escuto essa musica.

Gostei muito mesmo disso...
Ah, os anjos...

amo reticências, amo!
dizem tudo, é incrível

Anônimo disse...

olha os textos da ananda que sempre me fazem lembrar dela falando hihihi ^^
solidão é necessária né. mas não se feche pra sempre. tormentos são caminhos, e não destinos finais.
:)
um bejo e um quejo!